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2006042700_the_blog_345Na esteira do buzz sobre o Fatos e Dados, da Petrobrás tive acesso a um interessante conjunto de opiniões e posições das mais diversas fontes – jornalistas, pesquisadores, profissionais de mercado, curiosos, entre outros. Disso tudo ficou muito claro que o calor das discussões acaba por deixar de lado a essência do tema: o uso do blog como uma ferramenta de mídia social.

Pelo lado dos jornalistas e das empresas jornalísticas a discussão ficou centrada na relação fonte-veículo e também no uso do blog como mídia. Os profissionais de comunicação tinham por foco a quebra do paradigma da mediação e a possibilidade concreta de uso das ferramentas de mídia social para isso, mas com uma sucessão de dúvidas sobre como e para que. Pesquisadores e a academia mantiveram-se à distância, como usual. Usuários e blogueiros, no mínimo, fizeram a festa. Tais opiniões refletem a diversidade de compreensão dobre o que na realidade são e para que servem os blogs.

Claro que não vou aqui nesse Intermezzo discorrer sobre as origens do blog nos diários pessoais,  sobre a quantidade de autores que discutem cientificamente o  tema (sim, blogs há tempos são objeto de pesquisa!) ou sobre seu uso nos mais diferentes campos de atividade. Existem muitas fontes para isso na própria web, prá começar. Gostaria, de indicar dois pontos-chave que condicionam o uso (adequado ou não) do blog em nossa rotina comunicacional:

1. A confusão entre plataforma de publicação e ferramenta de mídia social

Desde suas origens o blog  trouxe uma característica muito atraente para qualquer usuário da web: a possibilidade de publicar e estar presente na grande rede, gratuitamente e sem esforços técnicos de especialista. Com isso, plataformas como WordPress e Blogger possibilitaram a existência dos 133 milhões de blogs registrados, segundo o último relatório sobre a Blogsfera do Techoratti. Com isso, surgem em ritmo de pãozinho quente os mais diversos tipos de propostas de conteúdo utilizando esse caminho rápido e fácil de publicação, confundindo o uso social da  ferramenta com uma forma de construir um website. O que temos, em muitos e muitos blogs, são o que chamo de blogsites: uma página na web, que pouco explora as características oferecidas pela plataforma que configurariam o blog como uma mídia social.

Com isso, os posts acabam se transformando em longos textos com tom de press release ou de discurso individualista; comentários inexistem ou parecem construídos; resposta a comentários é algo fora de questão; blogroll entra na lista das incompreensões; nuvem de tags, como assim?;  feed RSS, widgets integradores com outras ferramentas e as APIs mais recentes estão fora de cogitação.

Ok! São muitas as exigências? Talvez, mas se todas essas funcionalidades não forem exploradas parece-me inadequado chamar a página de blog. Que se publiquem milhares de páginas, mas por favor, só vamos chamar de blog aquelas que  honrem o termo. Não tem problema chamar de website. a plataforma não condiciona a denominação.

2. A fetichização do blog

Blogs sempre fizeram sucesso. Daí que criar e alimentar um blog “passou” a ser símbolo de atualidade e contemporaneidade, algo como uma passagem para o mundo 2.0. Seria isso mesmo? As aspas no “passou” são propositais.

Hoje assistimos a uma onda:  o blog do presidente da empresa X, o blog do governo Y, o blog do candidato Z, o blog do Sr. N…..e assim vamos engordando a blogsfera, como se blogs fossem a solução para a presença no mundo 2.0.

Bem, é preciso ir para além da ferramenta e do fetiche. É preciso olhar para a efetividade de um blog. Primeiro, porque blog que é blog dá trabalho, toma tempo e exige envolvimento real do autor: escrever posts, responder aos comentários, manter atualidade e periodicidade, disseminar pelas redes e listas, inserir hiperlinks oportunos, pensar nas formas de ampliação do tráfego, entre outras atividades. Segundo, porque efetividade tem tudo a ver com repercussão, replicação, discussão: características inerentes a um conteúdo de interesse para os usuários/leitores. E, terceiro, porque o blog é apenas uma parte de um processo estruturado, planejado e estratégico de atuação no mundo 2.0.

Na verdade, o blog utilizado  em sua plena capacidade, por assim dizer, deve ser considerado como objeto social: uma ambiênica digital que agrega idéias e opiniões compartilhadas, discutidas e ampliadas por um conjunto de pessoas com um interesse comum, utilizando para isso uma diversidade de ferramentas, funcionalidades e micro-sistemas que facilitam, dinamizame ampliam o processo como um todo. Apenas isso.

E o seu blog, é blog? what-is-a-blog

(Beth Saad)

Desde o dia 2/06/2009 estamos acompanhando o impacto do lançamento e as repercussões do blog Fatos e Dados da Petrobrás. Um embate de gente grande, de um lado o poder da maior empresa brasileira que, além de tudo, é estatal; e de outro os grandes jornais do país, representando o poder da informação. No meio disso tudo a questão forte: uma efetiva e perigosa quebra da relação fonte-veículo de informação. A Petrobrás, ao publicar no blog perguntas e respostas a ela enderaçadas pelos jornais O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e O Globo (um material tipicamente de apuração) coloca em questão a atividade mais básica do jornalismo que é a edição. Isso sem falar que tal atitude também põe no mesmo pacote o papel de mediação, a credibilidade, a ética, entre outros pontos fundantes.

Na origem, o blog foi criado, segundo texto da própria empresa para apresentar “fatos e dados recentes da Petrobras e o posicionamento da empresa sobre as questões relativas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)“. Tudo certo, em princípio, pois, num momento de dinamismo comunicacional a Petrobrás optou pelo formato blog, bastante adequado à situação. Esse Intermezzo não vai detalhar ainda mais o tema sob o ponto de vista dos preceitos jornalísticos. Muitas foram as avaliações e destacamos os posts dos professores Rogério Christofoletti e Wilson Bueno, e do blog Dicas de um Fuçador. Sem contar, claro, com a enormidade de posts que surgem no Twitter. Em resumo, a Petrobrás apenas faz uso daquilo que está disponível gratuitamente da web para posicionar-se. Se ela usa adequadamente ou não é tema para outro post.

Gostaria de comentar, um pouco mais, sobre o fato de que, uma grande empresa estatal, ao entrar no mundo da web 2.0, se constituindo como um novo pólo de emissão na rede, ameaça os tradicionais emissores de nossa sociedade em seu papel constituído do Quarto Poder. O fato, em seu todo, inaugura uma nova etapa de reconstituição de forças do poder da informação, só possível nos ambientes de mídias sociais. A gritaria geral da imprensa tradicional (hiper justificável pela questão jornalística) também se dá pela incapacidade de nossos veículos se defrontarem com a prática da web 2.0 e sua multiplicidade de vozes.

Para essa discussão remeto ao texto do professor Jeff Jarvis que analisa a convivência entre jornalismo e blogs em recente ação do The New York Times. Sua frase: “...here we see a clash over journalistic culture and methods – product journalism v. process journalism” deixa claro que a questão é cultural e essencialmente de método.  Penso ir mais adiante vinculando cultura e métodos ao ambiente de mídias sociais em redes digitais.

O primeiro ponto é saber se as empresas informativas sabem como agir em rede. Se sabem o que significa para sua marca, imagem e credibilidade informativa estar em paridade com múltiplos emissores, jornalísticos ou não, e especialmente dialogar com os elos fortes e fracos de múltiplas redes. A novidade para os grandes nomes da mídia tradicional, ao que parece, é buscar um novo papel para si nesse cenário: ser o influenciador favorito para os usuários/leitores. Como se destacar em intensidade, importância e referência, diante de um conjunto diversificado que compõe as redes sociais na web.

No caso específico do blog da Petrobrás como, apesar da força informativa que a empresa pretende impor, tornar-se o provedor de informação favorito para os interessados no tema. É possível?

O segundo ponto, bem mais sensível, é a mudança cultural e formativa do profissional. Aqui a palavra-chave é mudança. Irreversível. O que assistimos, hoje, no ambiente brasileiro é um descompasso no ritmo dessas mudanças. No presente momento vemos a academia, Ministério da Educação e as entidades representativas da indústria em discussão “lenta e gradual” das novas diretrizes curriculares para os cursos de jornalismo e da obrigatoriedade do diploma, pautados pelos preceitos da preservação da espécie; e de outro lado temos o ambiente em ebulição, que faz suas mudanças a toque de caixa, que exige posturas de ação-reação típicas do meio digital e que deixa prá trás quem está fora de compasso.

Nesse contexto, estariam os nossos profissionais preparados para a dinâmica contemporânea? Profissionais, empresas informativas e escolas querem efetivamente promover mudanças? Rápidas?

Por fim, enquanto as empresas informativas buscam entender o que é estratégia de diferenciação no mundo 2.0, e  a academia e as instituições hesitam em absorver uma nova cultura, corre em paralelo o embate entre o padrão de produção e consumo da informação no impresso e no online. Na era da informação 2.0, para Jeff Jarvis, o “mito da perfeição”  de processo jornalístico que todo profissional almeja entra em crise quando confrontado ao novo patamar de relacionamento e diálogo exigido por um ambiente de multiplicidade de vozes.

Na verdade, o blog da Petrobrás apenas desencadeou uma discussão que estava abrigada no nível subliminar de nosso Jornalismo. A ponta de um enorme iceberg de rota desconhecida.

(Beth Saad)

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O International Symposium on Online Journalism – ISOJ ocorreu nos dias 17 e 18 de abril, reunindo jornalistas, publishers e pesquisadores para discurtir o status da mídia digital e do jornalismo online nos Estados Unidos, Europa e América Latina. O Brasil foi representado por esta blogueira, Beth Saad, e pela Márion Strecker, Diretora de Conteúdo do UOL.

O evento, como sempre, bastante concorrido, teve como um dos temas mais polêmicos a crise que vem abalando especialmente o mercado informativo norte-americano. A grande maioria das opiniões concordou que a crise está nos modelos de negócio das empresas de mídia e não no jornalismo em si. Este, pelo contrário, está “forte, em seu melhor momento e cada vez mais criativo por conta da diversidade de ferramentas e aplicativos disponíveis para seu exercício“, segundo o consultor e professor mexicano Gabriel Sama. Na mesma linha de raciocínio, e adjetivando mais uma etapa de mudanças nos modelos de negócio, o criador e organizdor do ISOJ, Rosental Calmon Alves afirmou em seu discurso de abertura que a indústria jornalística está passando por um processo de mídiamorfose (conceito criado por Roger Fidler, autor de livro com o mesmo nome) e não por um midiacídio, tema que Rosental vem desenvolvendo desde 2005. Ele reforça a questão sugerindo que atualmente as empresas informativas estão vivenciando uma evolução em seus negócios e não uma revolução, passando por uma total desconstrução do atual sistema de mídia.

caminhos-cruzados1Para quem acompanha as transformações da indústria da mídia, seus negócios, estratégias e cultura, foi possível constatar nos dias do simpósio que mais uma vez surge uma encruzilhada, um momento de decisão, onde as empresas repensam a essência de seus negócios, o perfil de seus profissionais e, principalmente, o formato de seu conteúdos.

Temas como mensuração, UGC (conteúdo gerado pelo usuário), ferramentas de apoio ao conteúdo e narrativa – twitter em destaque, e avolta do backpack journalist foram intensamente discutidos.

O download dos papers e dos power points apresentados no ISOJ está disponível na página do Simpósio.

Iremos, em novos posts nesse Intermezzo fazer uma análise dos temas que mais impactaram e que têm uma maios vinculação com nosso ambiente informativo brasileiro.

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Acompanhando o excelente blog 233Grados, do colega espanhol Mário Tascón, tenho sempre a impressão de que é difícil e indigesta a aceitação e convivência com as irreversíveis mudanças no processo jornalístico e nos profissionais da área diante do acelerado mundo digital. Mesmo com a evidência dos fatos ainda vemos resistentes entrincheirados, insistindo em encontrar na voz de autoridades da área justificativas para suas posições.

Nessa linha é muito interessante o post do 233Grados que monitora a troca de idéias entre dois jornalistas do El Pais sobre o tema. De um lado, estão ali apresentadas entrevistas realizadas pelo jornalista Juan Cruz – um resistente assumido – com diversos nomes de peso no mundo jornalístico da Europa e dos Estados Unidos. Incrível, pois, o feitiço virou contra o feiticeiro, já que a grande maioria dos entrevistados, em oposição às colocações de Cruz assume o mundo digital como irreversível e já concretizado, sem que isso comprometa um jornalismo de qualidade.

Para acirrar o embate, na outra ponta está o jornalista Enric González – um digitalizado – que assina matéria no mesmo jornal entitulada Funerales onde defende a qualidade de conteúdo como base fundadora para o sucesso de qualquer operação informativa, em qualquer plataforma.

Reproduzo a seguir o trecho mais interessante (em Espanhol):

La industria periodística, que numerosos expertos dan por desahuciada y que, por la costumbre, solemos confundir con el oficio, es un asunto de propietarios, capataces y empleados. Si la despojamos del velo de romanticismo, queda eso: una jerarquía vertical, unos intereses comerciales y políticos, unos empleados que sirven a cambio de un sueldo.

La parte industrial, la que dicen que agoniza, no es especialmente bonita de ver. Toda la gracia está en el oficio, en las personas que lo practican y en el público al que sirven. Quizá desaparezcan las mesas, la cafetería, las complicidades oficinescas, la seguridad de una nómina, la enfermedad retribuida, el relativo cobijo de una cabecera; es de suponer que, en contrapartida, el periodista quedará liberado de los compromisos de sus amos. Se atisba una época en la que el periodista será él mismo, expuesto a la intemperie, a solas con sus propios compromisos y sus propios errores.

São ilustrações que reforçam o temos insistido nesse Intermezzo: discutir informação em ambientes digitais requer mudança cultural da empresa, seus publishers e colaboradores; novas habilidades profissionais; reforma urgenta nas estruturas de ensino,treinamento e desenvolvimento de pessoas, y otras cositas más….

(Beth Saad)

Imagem de Satélite - National Mall, Washington na hora da posse de Obama

Imagem de Satélite - National Mall, Washington na hora da posse de Obama

A cobertura integrada CNN/Facebook do evento Obama Inauguration colocou em pauta o exercício do compartilhamento em tempo real mais puro – sem fronteiras; múltiplos fusos horários, etnias e culturas; e muita diversidade de opiniões, de pessoas próximas e de estranhos – tudo disponível na mesma interface, acompanhando o streamming audiovisual que bateu recordes de audiência.

Penso que para quem não é aficcionado, compreender  a função de uma rede social, inserir-se na sua dinâmica e tornar-se um participante ativo é algo que necessita de motivação, concretitude e maleabilidade, mesmo em tempos de uma internet bastante presente no dia-a-dia coletivo (a internet imanente). Os mais de 13 milhões de stremmings da CNN/Facebook podem representar o elemento concreto, ou o efeito-demonstração para que cada vez mais o mundo das redes sociais também seja tão imanente quanto à própria rede.

Existem aqui alguns aspectos que valem a pena comentar: a questão tecnológica como desencadeadora de fatos sociais e de aglutinação informativa, deixando para trás o aspecto do determinismo; o contexto sócio-antropológico das redes sociais na web; e os aspectos de modelo de negócios e concentração de tráfego que viabilizaram a parceria.

Nesse post vou me concentrar mais na questão social sustentada pela tecnologia sem, entretanto, desconsiderar os demais pontos que serão mais bem abordados em novos posts desse Intermezzo.

Será que valeu a pena assistir à posse pelo CNN/Facebook? Teria sido melhor acompanhar de casa, no sofá, pela Globo, com a tradução simultânea? Ou pela própria CNN no cabo, ou ainda, desconectar-se de vez? Como optei pela rede social, digo que valeu, e justifico isso diante do diferencial oferecido pelas ferramentas da rede social - as conversações.

Ao final da cerimonia, o colega professor espanhol José Luis Orihuela manifestou-se para a nossa comunidade: “Muy buena experiencia seguir el evento con la comunidad de amigos en Facebook“. Essa boa experiência pode ser social e tecnicamente avaliada como uma revalorização da relação informação/comunicação diante da complexidade do mundo contemporâneo (uma leitura de nossa sociedade por Derrik de Kerckhove). O autor, citado por Vítor Oliveira Jorge, da Universidade do Porto, diz:  “Hoje, só podemos pensar se conseguirmos sair dos estereótipos e dos arquétipos da nossa cultura tradicional. Ora, esse foi sempre o desafio da antropologia. É por isso que os seus conhecimentos e a sua experiência são fulcrais ao entendimento da contemporaneidade”.

Tal revalorização pode ser observada ao vivo por quem participou da transmissão CNN/Facebook. Nessa linha, dentre as manifestações de minha comunidade no Facebook, destaco as dos colegas Daniela Bertocchi (a Dani) criadora e autora desse Intermezzo, Francisco Madureira (o Madu), jornalista responsável pelo UOL Tecnologia e meu orientando na ECA-USP e Nuno Vargas jornalista e webdesigner de Portugal: todas reforçam o aspecto das conversações.

Diz a Dani: “Estive com a minha comunidade, na mesma interface online, acompanhando o mesmo evento ao mesmo tempo, tecendo comentários juntos, criando um discurso paralelo à cobertura tradicional da TV. E note-se que há uma diferença entre os botões “Everyone watching” e o “Friends”. Coisas distintas. Não é uma mesma coisa que colocar um chat entre os usuários. E tem o Twitter…enfim, fez história!!!“.

O Nuno destaca a multiplicidade de ferramentas aplicadas num evento diferenciado na rede: “Obviamente, a novidade aqui não foi o chat. O que diferenciou, penso eu, foi ter um live streamming + social network como o Facebook incorporado no streamming pannel + um evento quase inigualável decorrendo + a possibilidade de inserir twitters próprios. Várias plataformas e vários espectros entre o público e o mais privado ou “friendly”. Mushing, crossing and producing content!”

Por outro lado, não podemos nos esquecer da colocação do Madu: será que isso não é bem parecido com que o Terra, por exemplo, já fazia há pelo menos três anos disponibilizando chats junto com suas coberturas ao vivo? Ou seja, será que estamos falando de inovação?

É preciso ter cuidado ao discutir inovação no mundo digital, onde o ciclo de vida tecnológico é extremamente curto, levando os mais desavisados a pequenas confusões semânticas (já que inovação não é a mesma coisa que novidade, por exemplo) ou a escolhas conceituais inadequadas à complexidade contemporânea. Apesar das TIC’s serem unamimemente consideradas como uma inovação tecnológica em constante mutação, estas quando aplicadas a sistemas e redes coletivos, como é o caso das redes sociais, entram num contexto mais recente que levam em conta as inovações no âmbito das ciências sociais. E aqui, a perspectiva economica dos Schumpeteriamos perde a sustentação.

Se considerarmos a agenda da inovação tecnológica social, o evento Obama no Facebook empreendeu o “pulo do gato” à perfeição, a inovação ocorreu pela tecnologia sustentando as relações mais do que pela tecnologia possibilitando um streamming de qualidade A ou B, por exemplo.  O pesquisador Thales de Andrade tem excelente texto sobre o tema, e diz: “A proposta dos cientistas sociais interessados em compreender os rumos da inovação na sociedade contemporânea significa uma mudança de enfoque analítico, voltado agora para os elementos intangíveis e cambiantes da prática tecnológica e social, em que as relações são mais fundamentais do que as coisas, em que os processos superam os resultados em termos de intelegibilidade das práticas sociais“.

Enfim, o compartilhamento experienciado pelo ambiente CNN + Facebook — e note-se que a cobertura da posse do Obama nesta terça, 20, gerou 136 milhões de pagesviews e 21,3 milhões de streams de vídeo, com pico, durante o discurso do presidente, de 1,3 milhão de vídeos simultâneos —  constituiu-se num “case” exemplar integrador de plataformas, de inovação social e um marco para a web 2.0 como canal de conversação e comunicação coletiva. Valeu!

(Beth Saad)

Mais:

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